Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): sintomas, diagnóstico e tratamento

Sumário

Edição: Cínta Oliveira*

 

O transtorno obsessivo-compulsivo, mais conhecido pela sigla TOC, é uma doença psiquiátrica, que se destaca pelas obsessões e compulsões apresentadas pela pessoa. 

O TOC é marcado por uma série de pensamentos invasivos, incontroláveis – as chamadas obsessões –, que levam a preocupações em excesso, causando ansiedade. 

Diante disso, o indivíduo pode desenvolver compulsões em seu comportamento, na tentativa de aliviar ou ignorar os pensamentos obsessivos, daí o nome dado ao transtorno.

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Repetir de forma excessiva e frequente comportamentos ou rituais como limpar a casa, lavar as mãos ou organizar objetos pode ser sintoma de Toc. Foto: kelly sikemma/Unsplash

Sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo

Entre as obsessões mais frequentes estão a excessiva preocupação com germes, sujeira ou medo de contaminação; temor de que algo negativo aconteça consigo ou com alguma pessoa próxima; obsessão com simetria e alinhamento, entre outras.

Esses pensamentos podem ou não se associar ao comportamento compulsivo, que se manifesta, por exemplo, com a lavagem excessiva e frequente das mãos, rituais de limpeza tanto do próprio corpo como do ambiente em que a pessoa se encontra, verificação de portas, arrumação e organização constante. 

Além disso, é possível ainda que o indivíduo estabeleça rotinas rígidas, repita de modo compulsivo frases, expressões, nomes ou apresente tiques.

Preste atenção a estes sintomas

Nem todas as pessoas que demonstram hábitos repetitivos ou rituais sofrem, de fato, com o transtorno obsessivo-compulsivo, havendo alguns aspectos que, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental britânico (NIMH), acometem quem apresenta o TOC:

  • mesmo ciente de que os pensamentos e comportamentos são excessivos, a pessoa não é capaz de controlá-los;
  • o tempo gasto com esses pensamentos e comportamentos é longo, ultrapassando uma hora por dia; 
  • a pessoa tem sua vida social e seu cotidiano afetados de forma negativa;
  • os rituais e hábitos podem dar uma breve sensação de alívio da ansiedade, mas a pessoa não os vê como algo prazeroso de ser feito. 

Diagnóstico do TOC

O psiquiatra é o especialista responsável pelo diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo, sendo necessário observar critérios determinados:

  • os pensamentos obsessivos e as compulsões ocupam um tempo superior a uma hora diária; ou
  •  ou causam desconforto significativo no paciente – ou em familiares e pessoas próximas; ou
  • chegam a comprometer aspectos da vida da pessoa – seja em sua vida social, profissional, acadêmica etc.; e
  • não há causa direta para os sintomas – como abuso de substâncias, efeitos de medicação ou doenças neurológicas ou psiquiátricas que apresentem os mesmos sintomas.

De acordo com o professor Aristides Volpato Cordioli, do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o TOC se manifesta geralmente na adolescência ou no início da fase adulta, mas pode, em alguns casos, surgir ainda na infância.

A variação dos sintomas é ampla, podendo aparecer inicialmente como leves e sua intensidade se aprofundar ao longo do tempo, ou o contrário, sendo intensos no início e evoluindo para manifestações mais brandas. 

Causas e fatores de risco do transtorno obsessivo-compulsivo

Não há causas específicas identificadas para o TOC, mas pesquisas apontam fatores que podem contribuir para que uma pessoa seja acometida pela perturbação. 

Indivíduos com familiares de primeiro grau que tenham histórico de transtorno obsessivo-compulsivo têm maior risco de desenvolver a doença, principalmente se o familiar em questão manifestou sintomas na infância ou adolescência.

Segundo Cordioli, há também uma associação entre a manifestação de sintomas obsessivos-compulsivos e traumas em determinadas regiões do cérebro, bem como derrames ou acidentes vasculares. Indivíduos diagnosticados com doenças neurológicas como Parkinson também têm maiores chances de desenvolver sintomas de obsessão e compulsão.

Outra condição que estudos mostraram estar ligada ao maior risco de desenvolvimento do TOC é a Síndrome de Tourette, doença neuropsiquiátrica marcada pela manifestação de tiques incontroláveis.

Tratamento do TOC

Por ser uma doença crônica, o transtorno obsessivo-compulsivo requer tratamento de longo prazo.  Por isso,  a Associação Brasileira de Psiquiatria recomenda, além da psicoterapia e dos medicamentos, as chamadas intervenções educativas, a fim de informar e conscientizar tanto pacientes quanto familiares. 

Essa intervenção contribui para reduzir o estigma em torno do TOC e auxiliar o paciente a desenvolver estratégias para lidar com a condição e sintomas persistentes.

Os medicamentos mais comumente receitados são os antidepressivos, por seu efeito no controle da serotonina no cérebro. Como esse neurotransmissor é responsável por sensações de prazer e satisfação, a ação do antidepressivo auxilia no controle dos sintomas obsessivos.

O professor Cordioli alerta que, no entanto, os medicamentos costumam demorar a fazer efeito e normalmente não acabam por completo com os sintomas, apenas promovendo sua amenização.

Ainda conforme o professor, a terapia cognitivo-comportamental tem sido a forma de tratamento mais eficaz na redução dos sintomas, chegando a eliminá-los totalmente em 30% dos casos. Em geral, a combinação entre medicamentos e a terapia cognitivo-comportamental é o tratamento que tem apresentado melhores resultados.

 

 

Cíntia Oliveira – é Jornalista, formada pela Universidade Federal de Alagoas – Brasil.

Licenciada em  Enfermagem pela Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa– Portugal.

Pós-graduada em  Terapeutica Ortomolecular e  Nutrição Funcional pela Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU)- Portugal

Pós-graduada em Direitos Humanos pela Universidade Estadual da Bahia – Brasil

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. Transtorno Obsessivo Compulsivo: Tratamento. Associação Médica Brasileira, jan. 2021. Disponível em: https://amb.org.br/files/ans/transtorno_obsessivo_compulsivo-tratamento.pdf. Acesso em 31 jan. 2023.

CORDIOLI, A.V. TOC – Transtorno obsessivo compulsivo. UFRGS, 2021. Disponível em: https://www.ufrgs.br/toc/home. Acesso em 30 jan. 2023.

GONZALEZ, C.H. Transtorno obsessivo-compulsivo. Braz. J. Psychiatry, 21(2), out. 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1516-44461999000600009. Acesso em 30 jan. 2023.

NATIONAL INSTITUTE OF MENTAL HEALTH (NIMH). Obsessive-Compulsive Disorder. Mental Health Information, National Institute of Health (NIH), 2022. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/topics/obsessive-compulsive-disorder-ocd. Acesso em 30 jan. 2023.

PHILLIPS, K.A.; STEIN, D.J. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Manual MSD, 2021. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiqui%C3%A1tricos/transtorno-obsessivo-compulsivo-e-transtornos-relacionados/transtorno-obsessivo-compulsivo. Acesso em 30 jan. 2023.

TOURINHO, S.E.S.; HEMANY, C.; OLIVEIRA, I.R. Ocorrência de sintomas de transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em estudantes de 11 a 18 anos de uma escola pública de Salvador. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, 19(4): 547-552, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.9771/cmbio.v19i4.42669. Acesso em 31 jan. 2023.

 

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