Alecrim: benefícios, contra indicações e formas de usar

Sumário

O alecrim, cujo nome científico é Rosmarinus Officinalis, é uma planta originária do mediterrâneo europeu,  muito usada pelas suas propriedades farmacológicas. É utilizada como medicamento, condimento, aromatizante e conservante.

A erva, pertence à familia botânica Lamiaceae,  a mesma da menta, sálvia e do orégano. O alecrim se apresenta como um subarbusto perene, com hastes lenhosas e folhas aromáticas. As flores podem ser azuis, brancas, roxas ou róseas e também são apropriadas para o consumo.  Podemos utilizá-las junto com as folhas.

É por causa dos seus compostos antioxidantes, anti inflamatórios, anti carcinogênicos, antimicrobianos  que o alecrim é tão reconhecido. Graças ao efeito antimicrobiano e antioxidante, o  alecrim, ele é muito usado na indústria alimentícia,  cosmética e farmacêutica como conservante.  Vamos explicar neste artigo quais os benefícios, contra indicações e formas de usar esta planta medicinal.

Alecrim: protege o fígado e aumenta a secreção de bílis

Os estudos demonstram que o uso de extrato de alecrim melhoram o funcionamento do fígado e protegem os hepatócitos, são as células que realizam as funções metabólicas do órgão. Os resultados foram evidenciados através de parâmetros séricos hepáticos e pela histologia do tecido hepático. Experimento in vivo demonstrou que o óleo essencial ou extrato da folha, foi capaz de proteger o fígado contra contra os danos provocadas pelo antibiótico conhecido por  Gentamicina e pelo o tetracloreto de carbono (CCl4), considerando sua hepatotoxicidade e efeitos mutagênicos.  Já o extrato alcoólico de 15% das flores mostrou ser capaz de aumentar o fluxo biliar.

Auxilia no controle da diabetes

Na Turquia o alecrim é popularmente utilizado para o tratamento da hiperglicemia.  Estudos in vivo comprovam o efeito hipoglicemiante do alecrim.  Ou seja, a capacidade de baixar o açúcar no sangue. Um dos motivos é o fato do alecrim  inibir as enzimas digestivas lipase, α-amilase e α-glicosidase,  reduzindo desta forma a absorção de glicose. Isso acontece devido a biodisponibilidade de um composto presente na planta denominado ácido carnósico.

Pela sua propriedades antioxidantes o alecrim contribui para prevenir  os danos oxidativos desencadeados pela hiperglicemia a longo prazo levando a progressão d a doença.  Sabe-se que as células produtoras de insulina, conhecidas como beta pancreática, são mais suscetíveis a danos oxidativos.  Isso porque elas têm uma menor expressão de enzimas antioxidantes  quando comparadas com células de outros tecidos. 

Embora estes estudos sejam preliminares, eles sugerem que fazer uso do alecrim pode proteger as células pancreáticas de danos oxidativos, prevenir ou ajudar no tratamento da diabetes melhorando o controle da glicemia.

Alecrim: melhora a digestão

Alecrim ajuda na digestão porque atua como um modulador do ácido clorídrico. Trata-se de uma substância produzida no estômago, necessário para haver uma boa digestão sobretudo de proteínas.  Isso quer dizer que se há uma deficiência de ácido clorídrico o alecrim vai estimular a sua produção. Porém, se há um excesso, o alecrim atua para reduzir a quantidade desta substância.  Neste caso, devemos usar o alecrim na forma de chá ou extrato antes das refeições.

Combate a ansiedade

Os fitocompostos, presentes no alecrim, atuam no sistema nervoso central. Isso explica as propriedades ansiolíticas desta erva. Um dos compostos presentes no alecrim é a apigenina, que pode  aumentar o efeito do neurotransmissor GABA,  que atua no cérebro modulando o sono, o relaxamento e a concentração. Um outro flavonoide presente no alecrim,  é a luteolina, capa de produzir efeitos sedativos e ansiolíticos, uma vez que se liga prontamente aos receptores GABA. 

Atua como anti-inflamatório natural

Estudos demonstram que o alecrim é uma das ervas aromáticas que possuem maior atividade antioxidante. Por isso, o alecrim ajuda a reduzir a chamada inflamação subclinica, aquela  que não vemos visivelmente. pois acontece a nível celular.  E, é claro,  desinflamar melhora os parâmetros de saúde como um todo. Reduz dores articulares além de exercer proteção a diversos órgãos do corpo como rins, fígado e coração.

Alecrim: como de utilizar para obter benefícios medicinais

O alecrim pode ser usado  seco ou fresco como condimento, chá (infusões),suco fresco, em preparações fitoterápicas em forma sólida ou líquida, na forma de óleo essencial.  É  importante ressaltar que as propriedades do alecrim, como de qualquer outra planta,  são dose dependente. Ou seja, o efeito desejado depende da quantidade utilizada. 

Modo de tomar e quantidades para obter efeitos medicinais

Chá:  Utilizar em toma única: 1g a 2g em 150 ml de água 2 a 3 vezes ao dia. Não tome mais que três xícaras por dia para não evitar efeitos indesejados.  Não guarde o chá para o dia seguinte.

Suco fresco: 5ml de suco 100% extraído na hora de duas a três vezes ao dia

Extrato (em solução alcoólica) (45%) 2 a 4 ml diariamente em 200 ml

Extrato seco (em capsula): 100mg  a 200mg três vezes ao dia

Uso tópico: chá em banho de assento para reduzir a inflamação  – em pessoas com hemorroidas

Dica: o alecrim deve ser tomado no período da manhã até meio da tarde, estudos demonstram que ele pode retardar a indução do sono.

Contraindicações do alecrim

Pessoas com alergia ou hipersensibilidade a algum composto presente no alecrim não devem fazer uso desta erva.

Quem tem obstrução das vias biliares deve evitar usar o alecrim como medicamento.

Mulheres grávidas e que estão amamentando não devem usar alecrim como medicamento. Podem fazer uso de pequena quantidade da erva como condimento mas não deve utilizar como chá, como extracto ou outro concentrado como por exemplo na forma de azeite de alecrim ou óleo essencial de alecrim.

REFERÊNCIAS:

Bakırel, Tülay, et al. “In vivo assessment of antidiabetic and antioxidant activities of rosemary (Rosmarinus officinalis) in alloxan-diabetic rabbits.” Journal of ethnopharmacology 116.1 (2008): 64-73.

Ercan P, El SN. Bioaccessibility and inhibitory effects on digestive enzymes of carnosic acid in sage and rosemary. Int J Biol Macromol. 2018 Aug;115:933-939. doi: 10.1016/j.ijbiomac.2018.04.139. Epub 2018 Apr 28. PMID: 29709538.

de Oliveira, J.R., Camargo, S.E.A. & de Oliveira, L.D. Rosmarinus officinalis L. (rosemary) as therapeutic and prophylactic agent. J Biomed Sci 26, 5 (2019). https://doi.org/10.1186/s12929-019-0499-8

Farenyk, Iryna. Plantas e produtos vegetais com ação no sistema hepatobiliar.Trabalho Final de Mestrado Integrado, Ciências Farmacêuticas, 2021, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia. Disponivel em http://hdl.handle.net/10451/52704

Hegazy AM, Abdel-Azeem AS, Zeidan HM, Ibrahim KS, Sayed EE. Hypolipidemic and hepatoprotective activities of rosemary and thyme in gentamicin-treated rats. Hum Exp Toxicol. 2018 Apr;37(4):420-430. doi: 10.1177/0960327117710534. Epub 2017 May 23. PMID: 28534439.

Sedighi, Rashin, et al. “Preventive and protective properties of rosemary (Rosmarinus officinalis L.) in obesity and diabetes mellitus of metabolic disorders: a brief review.Current Opinion in Food Science 2 (2015): 58-70.

 

 

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