Ácido úrico elevado: o que pode ser?

Sumário

O ácido úrico é um produto da degradação das purinas, que são bases nitrogenadas que compõem o DNA e o RNA das celulas. Geralmente, o ácido úrico é liberado no sangue e excretado na urina. 

 

As purinas são sintetizadas no nosso organismo com a finalidade de produzir ácidos nucleicos (DNA e RNA). Além disso, também podem ser ingeridas por meio da alimentação, principalmente quando a dieta é rica em proteínas. 

 

Assim, o ácido úrico é produzido a partir da degradação tanto dos ácidos nucleicos quanto das purinas ingeridas através da dieta. 

 

O acido elevado pode causar doenças como a gota que causa dor sobretudo nas articulações do dedão, tornozelos e joelhos. Foto: Freepik

 

O ácido úrico em indivíduos saudáveis 

Após ser produzido, o ácido úrico ganha a corrente sanguínea. Depois disso, uma parte do ácido úrico é armazenada, enquanto outra parte é excretada pelos glomérulos (nos rins).

A maior parte do que foi excretada pelos glomérulos é reabsorvida pelos túbulos distais (também nos rins) e uma quantidade menor é excretada na urina. 

Portanto, em indivíduos saudáveis, não é comum haver quantidade elevada de ácido úrico no sangue. 

É importante ressaltar que homens costumam ter ácido úrico mais elevado do que mulheres. 

 

Exame de dosagem de ácido úrico 

A dosagem de ácido úrico pode ser feita no sangue ou na urina, sendo no sangue o mais comum. 

 

Para a realização deste exame, recomenda-se jejum de 3-4h. 

 

Como não é comum que indivíduos saudáveis possuam altos níveis de ácido úrico no sangue, a dosagem sérica de ácido úrico pode auxiliar a identificar alguma desordem no funcionamento do organismo. 

 

Ácido úrico elevado: o que pode ser?

Quando as concentrações de ácido úrico no sangue estão muito além dos valores de referência, diz-se que o indivíduo tem hiperuricemia. 

A hiperuricemia está associada a várias doenças, como gota, leucemia, glomerulonefrite, eclâmpsia e anemias hemolíticas. 

 

Gota 

A gota é uma doença  desencadeada, em regra,  por defeitos de enzimas que metabolizam as purinas. Isso leva a um aumento nas quantidades de purinas e, consequentemente, também do ácido úrico. 

 

Com a elevação do ácido úrico no sangue, ocorre a cristalização de uratos. Esses cristais se depositam  nas articulações, causando dor, inchaço e vermelhidão. 

 

Uma das complicações da gota é a formação de cálculos renais. 

 

Para o diagnóstico,  além da  anamnese o médico avalia a dosagem sérica de ácido úrico, radiografias e exame de urina. 

 

O tratamento geralmente  inclui  alopurinol, medicamento que inibe a síntese do ácido úrico no organismo.  Além disso,  anti-inflamatórios e analgésicos para as crises de dores. 

 

Também é necessário  ajustes na alimentação (reduzir consumo de carne vermelha, açúcar, refrigerantes e industrializados, no geral).

 

Glomerulonefrite 

A glomerulonefrite é uma condição em que há inflamação dos glomérulos (nos rins).

Com isso, sua função fica comprometida. Dessa maneira, não há excreção suficiente de ácido úrico na urina,  o que pode causar o seu aumento no sangue. 

Inclusive, indivíduos como glomerulonefrite que têm ácido úrico elevado no sangue podem vir a desenvolver também a gota. 

Por isso, sempre que houver o diagnóstico de gota, é importante investigar se não há outra doença de base, como glomerulonefrite, por exemplo. 

Os principais sintomas da glomerulonefrite são:   urina com sangue ( escura, cor de ferrugem ou castanha) ou com espuma (por excesso de proteínas), fraqueza, cansaço, edema, aumento de peso e hipertensão. 

O diagnóstico é feito por meio de hemograma, exame de urina e exame físico. 

O medico indicará o tratamento de acordo  com a causa (se bacteriana, com antibióticos). Nos casos mais graves, em que há sério comprometimento da função renal, pode ser necessário fazer hemodiálise e até mesmo transplante de rim. 

 

Anemias Hemolíticas 

As anemias hemolíticas são condições em que há destruição dos eritrócitos (hemácias ou glóbulos vermelhos). Com isso, ocorre a degradação da hemoglobina, que são proteínas presentes nos eritrócitos.

Assim, acontece a indução do metabolismo das purinas, levando a um aumento de ácido úrico no sangue. 

Os sintomas das anemias hemolíticas são: fadiga, icterícia, dificuldade para respirar, palidez e dor de cabeça. 

O diagnóstico se dá, além do exame físico, por exames laboratoriais, como hemograma, lactato desidrogenase, dosagem de bilirrubinas e contagem de reticulócitos. 

 

O tratamento, de maneira geral, inclui  corticoides e supressores do sistema imunológico como prednisolona, decadron, afopic, acetato de dexametasona.

Em alguns casos, é necessário a retirada do baço  – esplenectomia. 

 

Leucemia 

A leucemia é um tipo de câncer que acomete a formação dos leucócitos ou glóbulos brancos (as células de defesa do nosso organismo).

Em alguns casos, leva à produção excessiva dessas células. 

 

Por conta disso, há uma intensificação no metabolismo dos ácidos nucleicos e, consequentemente das purinas, levando à elevação sérica do ácido úrico.

 

Pacientes com leucemia podem apresentar sintomas variados.

 

Contudo, um dos mais comuns e marcantes é a imunidade baixa, deixando o indivíduo suscetível à infecções.

 

Além disso, também costumam apresentar ínguas, cansaço, febre e manchas roxas e avermelhadas na pele. 

 

O diagnóstico é complexo e inclui a avaliação de exames  como mielograma, hemograma, tomografia, ressonância magnética e testes genéticos. 

 

O tratamento varia de acordo com cada caso, mas as opções terapêuticas são: transplante de medula óssea, radioterapia, quimioterapia e cirurgia. 

 

Cardiopatias

A elevação sérica de ácido úrico em pacientes com doenças cardiovasculares é comum. Contudo, ainda não se sabe se a elevação de ácido úrico no sangue representa apenas um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares ou se essa elevação pode causar a doença cardiovascular. 

 

Apesar de esta dinâmica ainda precisar de algumas explicações científicas, é fato que existe alguma relação entre cardiopatias e elevação sérica de ácido úrico.

 

Portanto, vale a pena ficar atento à elevação dos níveis de ácido úrico. Principalmente se  já possui alguma outra doença de base, como hipertensão, por exemplo, que constitui fator de risco para cardiopatias. 

 

 

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