Beta hCG: quando fazer e como interpretar

Sumário

O Beta hCG é um exame comumente solicitado por médicos, principalmente com o intuito de confirmar ou não a gravidez da mulher. Não possui custo alto e é de simples execução. Além disso, pode ser feito tanto na urina quanto no sangue. 

 

É um teste bastante sensível, o que significa que é capaz de identificar a presença do Beta hCG mesmo em concentrações mais baixas.  O resultado sai em pouco tempo e não há a necessidade de fazer jejum antes do exame.

 

Não exige grande complexidade para interpretar o resultado em caso de suspeita de gravidez.

Geralmente, o resultado vem escrito como “POSITIVO” ou “NEGATIVO”. Apesar disso, algumas questões que serão discutidas ao longo do artigo devem ser consideradas. 

 

Legenda para a imagem: O beta HCG permite identificar a gravidez já nos primeiros dias após a fecundação. 
O beta hCG permite identificar a gravidez já nos primeiros dias após a fecundação. Foto:Alessandra Mendes/Pixabay

O que é Beta hCG?

Conhecido como Beta hCG, o hormônio gonadotrofina coriônica beta é uma proteína sintetizada pelos trofoblastos, que são as células que dão origem à placenta.

 

 Durante a gestação, esse hormônio tem sua importância relacionada à manutenção do corpo lúteo. Trata-se de uma estrutura desenvolvida na gravidez e pode ser considerado uma glândula temporária. É  responsável pela secreção de estrogênio e progesterona. 

 

Então, o que é feito em laboratório é a detecção e dosagem do Beta hCG, a fim de chegar à conclusão se há ou não gravidez. 

 

Os testes laboratoriais podem ser qualitativos (vão identificar se há ou não a presença considerável de Beta HCG no organismo daquela mulher) ou quantitativos (vão dosar as concentrações desse hormônio na corrente sanguínea).

 

Para que serve o exame Beta hCG?

Popularmente conhecido como teste de gravidez, a dosagem do Beta hCG não está relacionada apenas à identificação de gravidez. Além de permitir saber se a mulher está grávida ou não, o teste permite acompanhar a saúde da mãe durante a gestação. 

 

As quantidades de beta hCG se elevam em até três semanas após a fecundação. Via de regra, a concentração aumenta muito durante o primeiro trimestre, principalmente entre as décima primeira e décima terceira semanas. Durante o segundo semestre, há uma queda e tende a se manter nesses níveis ou diminuir mais um pouco até o fim da gestação.

 

Quando há uma fuga desse padrão e as concentrações aumentam ou diminuem muito, pode significar que algo está errado com a saúde do feto e da mãe. Por isso,  a importância da dosagem desse hormônio também durante toda a gestação. A partir dessas informações, o médico pode investigar a possibilidade de pré-eclâmpsia, crescimento intra-uterino e trissomias. 

 

Quando fazer o Beta hCG

Em casos de suspeita de gravidez, o ideal é que o exame seja realizado dez dias após a fecundação (que pode ocorrer em até cinco dias após a relação sexual) e já no primeiro dia de atraso menstrual. É possível fazer antes, contudo, será necessário repetir após alguns dias porque pode ter ocorrido um falso negativo. 

 

Falso negativo 

De maneira simples, podemos explicar que um “falso-negativo” acontece quando um exame demonstra que não há sinais de que determinada situação esteja acontecendo quando na verdade ela acontece. No caso da gravidez, um falso-negativo é quando o exame demonstra que a mulher não está grávida quando ela está. 

 

Os casos mais comuns de falso-negativo são: 

  1. Teste realizado muito cedo 
  2. Gravidez ectópica – ocorre quando o embrião se fixa fora do útero, geralmente, nas trompas de Falópio. 

Falso positivo 

Tem-se um resultado falso-positivo quando o teste indica gravidez, mas não há gravidez de fato. Os casos mais comuns de falso-positivo são:

 

  1. Logo após um aborto 
  2. Tratamento com medicamentos para infertilidade 
  3. Reações cruzadas
  4. Tumores

 

As reações cruzadas  ocorrem quando compostos diferentes possuem estruturas semelhantes, causando uma espécie de “confusão” na hora de pesquisar o composto desejado. No caso do teste beta hCG, ao fazer a pesquisa do hormônio beta HCG em laboratório, outros hormônios podem ser confundidos com o beta hCG.  No entanto, essa é uma hipótese rara. 

 

 

Beta hCG x Tumores 

O que a maioria das pessoas não sabe é que o Beta hCG é, também, um marcador tumoral. O que isso significa? Significa que também pode indicar a presença de tumores. 

 

Os tumores que costumam elevar as concentrações de Beta hCG são tumores de células germinativas nos testículos e ovários.  Por isso, todos os pacientes com esse tipo de tumor apresentam elevação nas concentrações do Beta hCG. 

 

Assim, este teste também tem sua relevância para o auxílio diagnóstico de alguns tumores, avaliação da resposta terapêutica, prognóstico e chance de recidivas (chances de retorno). 

 

Beta hCG x Gravidez Psicológica 

A gravidez psicológica é um distúrbio psíquico, onde a mulher, que não está grávida, passa a ter convicção de que está. Então, ela passa a desenvolver sinais e sintomas físicos que são comuns em uma gestação: aumento da mama, cansaço, fadiga. Há relatos de mulheres que chegam a entrar em trabalho de parto. 

 

Embora alguns hormônios sejam alterados em caso de gravidez psicológica, não é o caso do Beta hCG e é mito que o resultado do teste pode ser positivo em caso de gravidez psicológica. 

 

Qualquer dúvida a respeito de seus resultados, consulte o seu médico ou profissionais do laboratório onde realizou o seu teste. 

 

Sobre o autor:  Andressa Santana Santos Batista, biomédica analista clínica, formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz. 

 

Referências: 

National library of Medicine. hCG: Biological Functions and Clinical Applications. 22 set de 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28937611/. Acesso em 07 de mar de 2023. 

Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Formas moleculares da gonadotrofina coriônica humana: características, ensaios e uso clínico. 28 de abr de 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000400008 . Acesso em 08 de fev de 2023

Revista Brasileira de Cancerologia. Marcadores Tumorais: Revisão de Literatura. 06 de mar de 2007. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/1798/1080 . Acesso em 08 de fev de 2023. 

 

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