Lipidograma: para que serve e como entender os resultados

Sumário

O lipidograma ou  perfil lipídico é uma série de exames laboratoriais que tem por objetivo avaliar e dosar as seguintes taxas: colesterol total, triglicérides, HDL, VLDL e LDL e o colesterol não-HDL. 

 

A análise desse perfil fornece informações importantes quanto ao risco de diversas doenças: infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença arterial periférica e hipertensão arterial. 

 

As doenças cardiovasculares são, hoje, a maior causa de morte em países em desenvolvimento. 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, houve um aumento no número de pessoas acometidas por doenças cardiovasculares em países de baixa e média renda, como reflexo do aumento da expectativa de vida. 

 

O lipidograma é um exame que avalia a gordura no sangue. É feito através da coleta do sangue venoso.
O lipidograma é feito através da coleta do sangue venoso. Foto: Annett_Klingner/ Pixabay

 

Lipidograma: quando realizar?

 

É importante realizar o lipidograma ao menos uma vez ao ano. 

 

Aquelas pessoas que têm predisposição genética ou é acometido por outras doenças, como diabetes, por exemplo, devem estar atentos e realizá-lo com frequência, sempre acompanhado por um médico. 

 

Assim, evita-se o agravamento do quadro. Além disso, ao conhecer  o risco de doenças cardiovasculares, é possível atuar de forma preventiva. 

 

Como é feito o lipidograma? 

O lipidograma é um exame feito em laboratório,  a partir da coleta de sangue venoso. 

 

Depois da coleta do sangue, a amostra coletada passa por um processo de centrifugação que tem por objetivo separar a parte celular da porção líquida. 

 

Essa porção líquida será utilizada para dosagem de colesterol total e frações. Isso pode ser feito manualmente ou por meio de equipamentos especializados. 

 

É preciso estar em jejum para fazer o lipidograma? 

 

Atualmente, já entende-se que não é mais necessário estar em  jejum para a realização do lipidograma. 

 

Os laboratórios têm flexibilizado o horário de jejum e costumam informar no laudo se houve ou não jejum. 

 

O Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico recomenda a flexibilização do jejum. 

 

O jejum neste caso, pode ser indicado pelo médico solicitante ou não.  Entretanto,  é  importante prestar a atenção se além do lipidograma  não estão inclusos pedidos de exames que requerem jejum. 

 

Como se preparar para fazer o Lipidograma?

 

Alguns cuidados devem ser tomados antes da realização do lipidograma: 

 

  1. Evitar o uso de bebidas alcóolicas 72h antes da coleta para o exame

 

  1. Manter a dieta habitual por cinco dias antes do exame.

 

 

Medicamentos que podem interferir no resultado do  lipidograma 

Alguns medicamentos e substâncias podem interferir no resultado do lipidograma. 

 

Algumas substâncias podem acelerar o metabolismo dos lipídios, “mascarando” os resultados, causando elevações que são temporárias – duram apenas durante o uso do medicamento.  

 

Por isso, é importante o paciente informar, na hora de realizar o exame, o uso de quaisquer medicamentos. 

 

Confira abaixo a lista dos principais medicamentos que podem interferir no resultado do lipidograma: 

 

Ácido ascórbico 

Atenolol 

Captopril 

Estatinas 

Ômega 3

Metformina 

Neomicina

Isotretinoína 

Prednisolona 

 

O que o lipidograma avalia 

 

Como já vimos, o lipidograma avalia as taxas de lipídios na corrente sanguínea. Quando essas taxas estão elevadas, ocorre o que chamamos de dislipidemia. 

 

A dislipidemia pode ocorrer por fatores genéticos, como consequência de outras doenças e medicamentos,  estilo de vida sedentário e  má alimentação. 

 

Confira abaixo o qual a função de cada tipo de colesterol e o que valores elevados podem sugerir: 

 

Colesterol total

Representa a soma do LDL, VLDL e HDL. Valores elevados representam riscos de doenças cardiovasculares. 

 

HDL

Popularmente conhecido como colesterol “bom”, o HDL é o  colesterol de alta densidade. Exerce função importante na proteção cardíaca, ele transporta o colesterol das artérias para o fígado, diminuindo as chances de acúmulo de gordura na parede das artérias. 

Entenda os valores do HDL

Menor que 40 mg/dL: baixo (ruim).

Entre 41 e 60 mg/dL: normal.

Maior que 60 mg/dL: alto (ótimo).

 

LDL

É o colesterol de baixa densidade e é conhecido como o colesterol “ruim”. De fato, quando os valores estão altos, aumentam os riscos de doenças cardíacas, pois ele faz o caminho inverso do HDL. 

 

Ele leva a gordura produzida no fígado para as células. Assim, quando elevado, pode favorecer o surgimento da aterosclerose, que é a formação de placa de gordura na parede das artérias. 

 

O ideal é que os níveis de colesterol LDL estejam abaixo de 130 mg/dl para uma pessoa sem histórico de doenças crônicas. Entretanto, esta meta pode não ser a ideal para todas as pessoas, Isto depende do risco cardiovascular de cada pessoa, de acordo com a avaliação médica.

 

Entenda os valores de LDL 

  1. Menor que 100 mg/dL: ótimo.
  2. Entre 101 e 130 mg/dL: normal.
  3. Entre 131 e 160 mg/dL: normal/alto.
  4. Entre 161 e 190 mg/dL: alto.
  5. Maior que 190 mg/dL: muito alto.

 

VLDL

É uma lipoproteína de muito baixa densidade. Ela é responsável pelo transporte dos triglicerídeos na corrente sanguínea.

 

Quando em valores elevados, aumenta o risco de doenças cardiovasculares pois aumentam a deposição de gordura na parede dos vasos sanguíneos levando a formação de placas, com risco de obstrução das artérias.

 

Colesterol não HDL

É a soma de todas as frações, exceto o HDL. Ou seja, a soma de todos os  popularmente chamados de “ruins”. 

 

É importante ressaltar que todo colesterol tem sua função e importância no organismo, o perigo está quando os valores ficam muito elevados. 

 

O resultado do colesterol não HDL funciona como um bom marcador para o risco de doenças cardiovasculares. É considerado mais sensível que o LDL isolado para avaliar o risco de desenvolver aterosclerose.

Entenda o resultado do colesterol não HDL

  1. Menor que 130 mg/dL: ótimo
  2. Entre 131 e 160 mg/dL: normal.
  3. Entre 161 e 190 mg/dL: normal/alto.
  4. Entre 191 e 220 mg/dL: alto.
  5. Maior que 220 mg/dL: muito alto.

 

Triglicerídeos

 É o principal tipo de gordura armazenada como reserva de energia. 

 

Em valores elevados, pode acabar causando o acúmulo de gordura nas artérias, e levando a doenças cardiovasculares, principalmente se estiver associado a baixos níveis de HDL

Entenda o s resultados dos  triglicerídeos

  1. Até 150 mg/dL: normal.
  2. Entre 150 e 199 mg/dL: limítrofe.
  3. Entre 200 e 500 mg/dL: elevado.
  4. Maior que 500 mg/dL: muito elevado.

 

Gordura elevada no sangue, o que significa?

Quando o paciente apresenta elevadas taxas de lipídios na corrente sanguínea, pode se constatar o caso de dislipidemia. 

 

As dislipidemias podem ser precursoras de doenças cardiovasculares. 

 

Por isso, é importante o diagnóstico precoce das dislipidemias, possibilitando tratamento adequado antes que o caso avance para um estágio mais grave. 

 

O fato de, geralmente, a dislipidemia não apresentar sintomas é preocupante e deve servir como alerta. Somente o lipidograma pode avaliar como estão os níveis de gordura no sangue.

 

Valores alterados

Se seus resultados estão alterados, deve procurar o profissional de saúde.

 

A partir da avaliação médica, será definido, em parceria com o paciente, a melhor forma de tratar que poderá incluir medicamentos, além  de alterações na dieta e  exercícios físicos. 

 

É importante que se diga, que nem sempre as alterações na dieta resultam,  pois  apenas 25% do colesterol é proveniente da alimentação. O restante, ou seja,  75% é produzido no fígado.

 

REFERÊNCIAS 

 

CIÊNCIA E SAÚDE COLETIVA. Análise da prevalência de doenças cardiovasculares e fatores associados em idosos, 2000-2010. 24 de jan de 2019.  Disponível em: https://scielosp.org/article/csc/2019.v24n1/105-114/ Acesso em 11 de fev de 2023.

 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose – 2017.   out de 2017.  Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2017/02_DIRETRIZ_DE_DISLIPIDEMIAS.pdf Acesso em 11 de fev de 2023.

 

REVISTA BRASILEIRA DE ANÁLISES CLÍNICAS. Interferência de medicamentos na avaliação do perfil lipídico: uma revisão de literatura. 14 de mar de 2022. Disponível em: https://www.rbac.org.br/artigos/interferencia-de-medicamentos-na-avaliacao-do-perfil-lipidico-uma-revisao-de-literatura/#:~:text=Os%20glicocorticoides%2C%20como%20a%20prednisona,colesterol%20total%20e%20c%2DLDL.  Acesso em 11 de fev de 2023.

 

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